Caminhos para liberdade

CAPS oferecem diversos tratamentos para a dependência química

Por Larissa Santin

Ciente do problema das drogas, a Secretaria de Estado da Saúde implementou uma rede de serviços que visam auxiliar o usuário na luta contra a dependência química e criar uma rede de programas de prevenção, ofertados aos estudantes da rede pública, por meio de parceiras entre secretarias de Saúde e Educação, no sentido de minimizar as chances de jovens voltarem-se ao vício. São eles: o Elos – Construindo Coletivos, voltado a crianças de 6 a 10 anos e suas famílias, o #Tamojunto, para jovens de 13 e 14 anos e suas famílias, e o Famílias Fortes, para famílias com pessoas de 10 a 14 anos. Este último é baseado em estratégias interativas que ampliam o diálogo e fortalecem os vínculos familiares, fatores de proteção relacionados à redução de conflitos e à prevenção do uso prejudicial de álcool e outras drogas.
Pensando nos cidadãos já acometidos pela dependência química, são ofertados tratamentos nas unidades de saúde e nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial). É importante que a pessoa se dirija até uma unidade de atendimento para realizar uma avaliação e assim determinar de que forma o tratamento deverá seguir. Os tratamentos variam de desintoxicação até, em casos mais graves, internação integral. Até julho de 2017 foram realizados 1300 atendimentos pelo CAPS, 244 somente na unidade da CIC, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.
Fernanda R*, 38, teve problemas com drogas por 12 anos. Seu primeiro internamento aconteceu quando tinha 22 anos, mas não surtiu efeito. Na sequência, no Hospital Bom Retiro, completou o tratamento e do internamento foi encaminhada para o CAPS AD, que auxilia tanto na parte de continuidade do tratamento como também na ressocialização, onde as pessoas são estimuladas a ter um trabalho e relações sociais. “Para mim foi muito importante esse momento de envolvimento com o CAPS, que me ajudou a voltar a estudar e trabalhar. Primeiro eu ia todos os dias, depois alguns dias na semana e na sequência uma vez por semana. Vai evoluindo, tudo gradualmente, no seu tempo ”, relembra Fernanda, que também considera o auxílio doença (benefício oferecido pelo INSS) e o acesso gratuito ao transporte público como essenciais naquele momento, onde a possibilitou focar única e exclusivamente no seu tratamento. Quando recebeu alta do CAPS, Fernanda procurou outros grupos de apoio, como o Narcóticos Anônimos, que também considera muito importante no seu processo de libertação do vício. Após quatro anos limpa, teve uma recaída e voltou ao CAPS. “É muito bom, porque eles já tinham todo o meu histórico, já sabiam do sucesso que eu tive em quatro anos limpa. E aí foi fácil encontrar o que me levou ao uso novamente e ver o que eu precisava fazer”, relata Fernanda, que hoje está há nove anos e nove meses limpa, tem família, atua como assistente social e possui cinco pós-graduações.
Das cinco unidades do CAPS espalhadas pela cidade, três possuem leitos de acolhimento noturno, auxiliando as pessoas em situação de rua. “O maior desafio da Secretaria de Saúde é a expectativa da cura, pois se trata de uma doença crônica. As pessoas acham que o internamento pode resolver tudo, como um milagre e não é assim que funciona”, explica Nalu Caiagawa, psicóloga da equipe da Coordenação da Saúde Mental. Muito embora existam equipes em módulos móveis, como o caso do consultório na rua, ainda há uma baixa adesão das pessoas ao tratamento e o álcool encabeça a lista dos vícios mais complicados a serem vencidos. “O álcool é uma droga lícita, que rodeia nossa cultura e abre caminho para outras. O mais importante é a adesão do sujeito ao tratamento”, esclarece Caiagawa.

 

Serviço
CAPS CIC
Rua Eduardo Sprada, 4459 – Cidade Industrial.
Contato: (41) 3285-2171
Funcionamento: 7h às 19h, de segunda a sexta-feira.

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