Escadão Rap fortalece a cultura urbana

Evento está no quarto ano e promove os beats das ruas

Por Saulo Schmaedecke

Cerca de 60 jovens vindos de diferentes bairros de Curitiba reúnem-se nas escadarias ao lado do terminal de ônibus da CIC numa noite de quinta-feira. O motivo do encontro é o Escadão Rap, evento criado em 2013 pelo rapper Fyskaw e que celebra a cultura do rap e dos Mestres de Cerimônia. Este é o cenário em que os MC’s criam poderosas rimas sobre a vida, numa produção acalorada de música e palavras. Os 31 degraus que ligam as ruas Diógenes Stori e Pedro Gusso são grafitados e ocupados por uma juventude que transborda talento e carisma.

“É o beat / Capiche? / Aqui é CIC city”

Fyskaw relata que mais de 100 pessoas compareceram na primeira edição e que pelas escadas já passaram artistas como Nairobi, Lado Trilho e Ripa Rima, dentre uma infinidade de nomes importantes da cena musical. O rapper, integrante do grupo Met4fora, conta que a ideia surgiu há mais de dez anos, quando frequentava as rodas de freestyle e beatbox na feirinha do Água Verde. Decidiu reproduzir o formato do evento na CIC pela carência de atividades artísticas na região e também para reforçar a união entre moradores de outros bairros. Natural de Pelotas e hoje residente do bairro Seminário, o jovem rapper Taliba vê a cena atual num bom momento, com muito a crescer e melhorar. Há oito anos no rap, conta que foi na CIC onde se sentiu um MC. Para ele, o Escadão serve para “aprimorar o freestyle e a dicção”, além de influenciar o hábito da leitura e a pesquisa de músicas novas. Neste mês Taliba começa as aulas de inglês.

Degraus da cultura

Em pesquisa realizada pela IFPI, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, verifica-se o consumo de música por serviços online como principal responsável pelo reconhecimento de novos artistas. As informações apontam também que o consumo global de música movimentou 15,7 bilhões de dólares em 2016 e que o mercado de investimentos na América Latina cresce pelo sétimo ano consecutivo.
Frequentadora do Escadão desde as primeiras edições, Jéssica conta que teve o primeiro contato com o rap aos 12 anos, quando esperava o relógio virar meia noite para finalmente poder se conectar à internet. A conexão em rede global fez com que os fones de ouvido de Jéssica fossem muito bem ocupados pela obra dos paulistas Sabotage e Lei Di Dai.
Tocha Metáfora, fundador Met4fora e um dos organizadores do Escadão, analisa Curitiba como a terra dos “beats de ouro dos instrumentais”. Ao falar sobre a boa fase do rap nacional, cita um trecho de uma música do Rapzodo: “Eu quero mais é que meu nome dê Ibope/ quero mais é que o rap vire pop / Eu quero sim fazer história com o hip hop”.
Para fortalecer o movimento do rap na cidade, Tocha entende que é preciso mais união entre os próprios artistas, pois “se interpretam como inimigos, como concorrência”. Ele ressalta que ao final dos eventos é realizado um mutirão para recolher o lixo produzido na noite e que o Escadão mantém uma boa relação com a Guarda Municipal: “Talvez usem esse movimento que a gente criou como exemplo pra fazer uma mudança, uma diferença, e assim criar uma referência artística dentro da sua própria quebrada”, finaliza o rapper. Um salve!

 

Serviço
Escadão Rap
Quintas-feiras alternadas, as 20h – ao lado do Terminal
da CIC
Acompanhe a programação pela página: Facebook/
campaorap

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