SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA: É PRECISO ROMPER O SILÊNCIO

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Adolescentes do 9º ano da Escola Ensino Fundamental Albert Schweitzer, na CIC, participaram de um encontro na última sexta-feira (13/9) para falar sobre depressão, mutilações e ideação suicida. O tema foi proposto pelos estudantes, com o objetivo de prevenir casos na escola.

“A ideia surgiu na sala de aula. Fizemos um mural, no ano passado, com característica de pessoas deprimidas. Ficamos surpresos com a quantidade de colegas que paravam para ler”, disse Larissa Chaves Pereira.

A estudante conta, ainda, que o mural foi exposto antes do período de reunião de pais, para alertá-los. “A ideia era chamar atenção dos pais para que prestassem atenção nos filhos e em possíveis sintomas de depressão”, afirma Larissa.

Neste ano, o tema voltou a ser trabalho na escola, em setembro, no mês de conscientização sobre suicídio. Uma equipe multidisciplinar da Unidade de Saúde Nossa Senhora da Luz mediou as atividades. A proposta era que os adolescentes pudessem se expressar sem medo ou vergonha.

“Cada grupo escreveu a letra de uma música com foco em qualidade de vida e atitudes positivas e apresentou no auditório da escola”, explica Michele Dubas, autoridade sanitária.

O dentista Antônio Luz Xavier, da Unidade de Saúde Nossa Senhora da Luz, participou e aponta a falta de diálogo como um sinal de que algo está errado.

“Os adolescentes não gostam muito de ir ao médico, mas vão ao dentista pela estética. No consultório, costumo puxar conversa e observar o comportamento deles. Dependendo, peço o encaminhamento para um médico”, conta o dentista.

Comunicação assertiva

A depressão, os perigos da automutilação e o bullying são temas que precisam ser trabalhados nas escolas e em casa. Mas, segundo a estudante de psicologia Lorena Chaves Carneiro, é preciso adequar a linguagem aos adolescentes, dar exemplos reais e não subestimar as emoções deles.

“Costumamos inverter a lógica. Falamos sobre o quanto a vida vale a pena ser vivida”, disse Lorrena.

A dinâmica foi idealizada com base na Cartilha do Centro de Valorização da Vida (CVV) (veja a cartilha aqui). A publicação reúne mitos e verdades sobre o suicídio, tópicos sobre depressão e dicas para pais, educadores e adolescentes.

“É preciso estar atento e conversar abertamente com os jovens, eles precisam saber onde encontrar o apoio”, afirma Lorrena.

Minha filha sofria calada

A incidência de suicídio tem aumentado entre os adolescentes. Conforme a publicação Mapa da Violência, que se baseia em dados coletados pelo Ministério da Saúde, as faixas em que as taxas de suicídio mais cresceram no Brasil, entre 2002 e 2012, foram as dos 10 aos 14 anos (40%) e dos 15 aos 19 anos (33,5%).

Luciana Lopes Sgaraboto, agente comunitária de saúde, percebeu o quanto o assunto é importante quando a filha, com então dez anos, foi diagnóstica com depressão.

A estudante sofria bullying na escola e nunca se abriu para os pais. Até que um dia se mutilou. “Eu me odeio”, foi o que ela escreveu nos próprios braços, com um objetivo cortante.

A mãe percebeu a alteração no comportamento da menina e descobriu a mutilação – que é um dos indícios da depressão.

“Quando um filho desobedece ou faz algo errado a gente sabe como lidar. Castiga, orienta. Mas, quando nossa filha se mutilou a gente perdeu o chão. Não sabia o que fazer”, conta Luciana.

Depois de terapia e apoio familiar a menina recuperou a vontade de viver. “Agora, consegue expressar melhor seus sentimentos”, explica a mãe, que participou da equipe multidisciplinar que visitou a da escola.

Onde procurar ajuda?

Nas situações de sofrimento psíquico, em que haja necessidade de avaliação e acompanhamento especializado, a indicação é procurar a unidade de saúde mais próxima da residência. Lá serão feitos os encaminhamentos necessários.

Quando for detectada situação de transtorno mental em fase aguda (alucinação, delírio, agressividade, agitação, intoxicação, tentativa de suicídio) ou intercorrência clínica (delirium tremens, por exemplo), o atendimento poderá ser feito na UPA mais próxima da casa do paciente, como alternativa ao atendimento dos CAPs.

Caso o paciente não consiga ser deslocado à UPA, poderá ser acionado o Samu, pelo telefone 192.

Centro de Valorização da Vida

Um importante aliado na prevenção do suicídio é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuitamente, de forma voluntária, 24 horas por dia, pelo telefone 188, por e-mail ou chat pelo site da instituição (www.cvv.org.br).

 

 

 

Via SMCS

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