TRABALHADORES INFORMAIS ESTÃO ENTRE A FOME E O CONTÁGIO

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Grande parte dos 2 bilhões de trabalhadores informais no mundo fica entre passar fome ou continuar trabalhando e correr risco de contaminação pelo novo coronavírus

Um documento divulgado recentemente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que as medidas de confinamento ameaçam aumentar os níveis de pobreza entre trabalhadores informais.

Nos países de alta renda, estima-se que os níveis de pobreza relativa entre os trabalhadores informais aumentem em 52 pontos percentuais, enquanto nos países de renda média alta, o aumento é estimado em 21 pontos percentuais.

Cerca de 1,6 bilhão dos 2 bilhões de trabalhadores informais de todo o mundo estão sendo afetados pelas medidas de isolamento social durante a pandemia.

A maior parte dessas pessoas trabalha nos setores mais afetados ou em pequenas unidades econômicas, como em serviços de hotelaria e de alimentação, nos setores de manufatura, comércios atacadista e varejista, além dos agricultores que abastecem mercados urbanos.

Segundo o estudo, as mulheres são as mais afetadas em setores de alto risco.

Em grande parte dos países, as medidas de isolamento para evitar a contaminação pelo novo coronavírus não podem ser implementadas amplamente, porque os trabalhadores informais precisam continuar atuando para alimentar suas famílias.

Por isso, essa parcela da população mundial tem enfrentado um dilema: morrer de fome ou correr maior risco de ser infectado pelo vírus? Essa questão foi agravada por interrupções no fornecimento de alimentos, o que impactou diretamente as pessoas que trabalham na economia informal.

No mundo, são 67 milhões de pessoas que trabalham em serviços domésticos. Neste momento, muitas não conseguem trabalhar. No entanto, aqueles que continuam atuando enfrentam um alto risco de infecção, cuidando de famílias em residências particulares.

A porcentagem de trabalhadores da economia informal mais afetados pelo confinamento varia de 89% na América Latina e nos Estados Árabes a 83% na África, 73% na Ásia e no Pacífico, e 64% na Europa e Ásia Central.

A OIT destaca que, neste momento em particular, os países devem adotar uma estratégia múltipla que combine diferentes linhas de ação em relação aos impactos da pandemia sobre a saúde e a economia.

Entre as recomendações, estão a necessidade de adotar políticas que reduzam a exposição de trabalhadores informais ao vírus, a garantia de que as pessoas infectadas terão acesso a atendimento médico, fornecimento de renda e ajuda alimentar às pessoas e suas famílias. Tais medidas podem reduzir os danos na economia dos países.

Por: Júlia Pereira / Observatório do Terceiro Setor
Fonte: ONU News
Foto: Reprodução/OIT

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